Tipos de Fissuras em Concreto: Causas e Como Identificar

engenheiro-medindo-fissuras-em-concreto-com-fissurometro
Fissura em concreto é uma abertura na superfície ou na massa do material cujo padrão — direção, largura, localização e evolução — revela a causa: retração, sobrecarga, variação térmica, corrosão da armadura ou recalque da fundação. Ler esse padrão corretamente é o que separa um problema estético de um sinal de risco estrutural.Nem toda fissura é grave, e nem toda fissura fina é inofensiva: o que importa é o conjunto de evidências. Este guia mostra como identificar os principais tipos de fissura pela sua causa, o que cada um costuma indicar e quando é hora de acionar um engenheiro. O objetivo é diagnóstico — a solução correta depende de qual dessas causas está atuando.

Fissura, trinca ou rachadura: a classificação por gravidade

Antes de olhar a causa, é comum classificar a abertura por tamanho. Existe uma convenção usual de mercado — não normativa e que varia entre fontes — que separa: fissura (abertura fina, tipicamente até cerca de 0,5 mm), trinca (aproximadamente 0,5 a 1,5 mm) e rachadura (acima de cerca de 1,5 mm). Esses valores ajudam a comunicar, mas não devem ser tratados como limite rígido.Mais importante que a largura é a evolução: uma abertura fina que cresce semana a semana pode ser mais preocupante do que uma maior que está estável há anos. Por isso, o monitoramento (com fissurômetro ou fotos com escala e data) costuma dizer mais sobre o risco do que uma única medição. Para elementos de concreto armado, a própria ABNT NBR 6118 estabelece limites de abertura de fissura conforme a classe de agressividade ambiental, pela ótica da durabilidade — outra razão para não avaliar a fissura só pelo tamanho aparente.

Os tipos de fissura por causa

O padrão da fissura é a principal pista da origem. A seguir, os tipos mais comuns em estruturas e pisos de concreto.

Fissuras de retração

São finas, muitas vezes mapeadas (em formato de craquelê) ou paralelas, superficiais, e surgem cedo — nas primeiras horas e dias (retração plástica) ou nos primeiros meses (retração por secagem). Não acompanham o caminho dos esforços de carga. Em geral têm caráter estético ou de durabilidade e raramente indicam problema estrutural, mas podem servir de porta de entrada para agentes agressivos.

Fissuras por sobrecarga ou flexão

Acompanham o esforço a que o elemento está submetido: em vigas, aparecem verticais no meio do vão (tração por flexão na face inferior) ou inclinadas próximas aos apoios (cisalhamento); em lajes e pilares, seguem a solicitação. Quando a abertura se relaciona à magnitude da carga, o sinal é de solicitação além do previsto em projeto — e isso pede avaliação estrutural.

Fissuras de origem térmica

Resultam de variações de temperatura e gradientes térmicos, agravadas pela ausência ou pelo mau posicionamento de juntas de dilatação. Concentram-se em pontos de mudança de seção e em grandes lançamentos de concreto (efeito térmico em peças volumosas). O padrão costuma coincidir com regiões de concentração de tensão.

Fissuras por corrosão da armadura

Acompanham o traçado das barras de aço (longitudinais, paralelas à armadura), quase sempre com manchas de ferrugem e destacamento (desplacamento) do cobrimento de concreto. Indicam corrosão já em estágio avançado, tipicamente causada por carbonatação ou por cloretos somados a cobrimento insuficiente. É um problema de durabilidade que evolui para estrutural e exige recuperação.

Fissuras por recalque diferencial

Aparecem inclinadas (em torno de 45° ou em padrão de “escada”) na alvenaria, orientadas na direção do ponto que mais cedeu, e costumam concentrar-se perto de aberturas (portas e janelas). Vêm acompanhadas de distorção e pisos desnivelados. A origem não está no concreto em si, mas no solo/fundação — é o recalque diferencial, cuja correção passa por diagnóstico geotécnico.Há ainda causas menos frequentes, como a reação álcali-agregado (fissuração em mapa por expansão interna do concreto), que exigem investigação específica.

Fissura ativa x passiva: por que muda o tratamento

Além da causa, é decisivo saber se a fissura ainda se movimenta. A fissura ativa continua a abrir e fechar — por carga variável, movimentação térmica ou recalque em evolução — e não pode ser simplesmente selada com material rígido, sob risco de reabrir; exige tratar a causa e, quando indicado, usar material flexível. A fissura passiva já está estabilizada e pode ser recomposta de forma rígida, restabelecendo a monoliticidade da peça — caso típico da injeção de resina epóxi para recuperação estrutural. Definir ativa x passiva antes de intervir evita retrabalho.

Fissuras com infiltração de água

Quando a fissura conduz água — comum em estruturas enterradas, reservatórios, subsolos e obras hidráulicas —, o problema deixa de ser só mecânico e passa a ser de estanqueidade. Nesses casos, o tratamento busca bloquear a percolação pela origem, com injeção de poliuretano para infiltrações e fissuras, inclusive quando há água sob pressão.

Quando chamar um engenheiro

Nem toda fissura exige intervenção imediata, mas alguns sinais pedem avaliação técnica com prioridade: abertura acima de cerca de 3 mm ou que evolui semana a semana; portas e janelas que passam a emperrar junto com o surgimento de fissuras; desnível de piso novo e progressivo; e fissuras que acompanham a armadura com manchas de ferrugem e desplacamento. Nesses casos, o caminho é uma vistoria de patologia com engenheiro habilitado, que mede, classifica e emite um laudo com ART — a base técnica para decidir o que precisa de ação e o que pode ser apenas monitorado. As referências normativas de fundo incluem a ABNT NBR 6118 (estruturas de concreto) e, quando há suspeita de recalque, a ABNT NBR 6122 (fundações).

Resumo: tipo de fissura, padrão e o que indica

TipoPadrão característicoO que costuma indicarAção típica
RetraçãoFina, mapeada/craquelê, superficial, surge cedoFenômeno de cura; geralmente não estruturalMonitorar; tratamento de durabilidade
Sobrecarga/flexãoAcompanha o esforço (meio do vão; inclinada no apoio)Solicitação além do previstoAvaliação estrutural
TérmicaEm concentrações de tensão; juntas insuficientesVariação/gradiente térmicoJuntas e avaliação
Corrosão da armaduraAo longo das barras, com ferrugem e desplacamentoCorrosão avançadaRecuperação estrutural
Recalque diferencialDiagonal/”em escada”, orientada ao ponto que cedeuOrigem no solo/fundaçãoDiagnóstico geotécnico e correção da fundação
Com infiltraçãoFissura que conduz águaPerda de estanqueidadeInjeção para estanqueidade
 

Fale com a Somase

Identificou fissuras que evoluem, piso desnivelado ou sinais de recalque na sua estrutura? Solicite uma avaliação com um engenheiro da Somase e descreva o que está observando para uma orientação técnica.

Perguntas Frequentes

Não. Muitas fissuras, como as de retração, têm caráter estético ou de durabilidade e não comprometem a estrutura. O risco depende do padrão, da largura, da localização e, principalmente, da evolução: uma fissura que cresce ao longo do tempo merece mais atenção do que uma maior que está estável. A avaliação correta exige análise técnica, não apenas inspeção visual.

Na prática, são graus de uma mesma coisa, separados por uma convenção usual de mercado (não normativa e que varia entre fontes): fissura é a abertura mais fina (tipicamente até cerca de 0,5 mm), trinca é intermediária (cerca de 0,5 a 1,5 mm) e rachadura é a mais larga (acima de cerca de 1,5 mm). Mais importante que o nome é a causa e a evolução da abertura.

O indício é o padrão acompanhar o caminho dos esforços ou da armadura: fissuras no meio do vão de vigas, inclinadas junto aos apoios, ao longo das barras de aço com ferrugem, ou diagonais por recalque tendem a ser estruturais. Fissuras finas e mapeadas de retração geralmente não são. A confirmação, porém, depende de avaliação de engenheiro.

É o padrão mais típico de recalque diferencial: fissuras inclinadas, muitas vezes em "escada" na alvenaria, orientadas na direção do ponto que mais cedeu e concentradas perto de portas e janelas, acompanhadas de distorção e piso desnivelado. A origem, nesse caso, está no solo/fundação, e o diagnóstico é geotécnico.

A fissura ativa ainda se movimenta (abre e fecha por carga variável, movimentação térmica ou recalque em evolução) e não deve ser selada com material rígido, sob risco de reabrir. A fissura passiva já está estabilizada e pode ser recomposta de forma rígida, recompondo a monoliticidade da peça. Definir qual é o caso antes de intervir evita retrabalho.

Com prioridade quando houver abertura acima de cerca de 3 mm ou que evolui semana a semana, portas e janelas que passam a emperrar junto com fissuras, desnível de piso novo e progressivo, ou fissuras acompanhando a armadura com ferrugem e desplacamento. O engenheiro mede, classifica e emite um laudo com ART, que orienta o que precisa de ação e o que pode ser apenas monitorado.